Sintomas, o que fazer com eles?

 

Hoje venho contar a você uma experiência que vivi ontem e que de alguma forma me tocou profundamente. Em um curso sobre o significado do sintoma com a querida professora Marisete Malaguth (aliás recomendo fortemente a fazerem esse curso, não é voltado só para os profissionais da psicologia, da Gestalt-terapia, mas a quem interessar o tema), me deparei com alguns pontos interessantes sobre o relacionamento humano. Viver exige muito, exige energia, compreensão, paciência, entre tantas outras coisas. E o fato é que nem sempre conseguimos estar conscientes sobre tudo o que nos é exigido.

Não conseguimos de fato lembrar de tudo ou ter acesso a tudo, se isso acontecesse provavelmente enlouqueceríamos, mas a questão é que também não podemos ficar na superficialidade. Saber por alto o que acontece comigo, me relacionar sem profundidade, não parar para me enxergar é um risco grande de cairmos num ciclo mecânico de comportamentos muitas vezes sem sentido e até prejudiciais.

Parar para olhar o que estou sentindo e compreender o que acontece comigo é fundamental. A minha dúvida é: eu sei o que acontece comigo? De verdade eu tenho consciência dos meus pensamentos, das minhas angústias, culpas, desesperos, alegrias e reconhecimentos?

O que eu faço quando sinto algum desconforto? Eu o nego e finjo que está tudo bem e logo vai passar ou tento entender o que ele é? Ao tomar consciência de qualquer sensação, seja ela física ou emocional mobilizamos energia, focamos toda a nossa atenção para que aquilo se resolva, daí então agimos, fazemos algo para irmos finalizando e concluindo aquele mal-estar inicial e se tudo der certo nos sentimos bem, satisfeitos com a compreensão e resolução do desconforto. Dessa forma, a energia se movimenta, ao fim desse ciclo, ela estará liberada para novos pensamentos, sentimentos e atitudes. Porém, quando não consigo compreender o que me agonia a energia fica bloqueada. E bloqueada o ciclo não consegue se fechar, o indivíduo sofre uma tremenda pressão para que todo o acúmulo dessa energia parada não apareça. Surgem então os sintomas como um grito de socorro, como uma mensagem de algo que não está indo bem.

De maneira geral a tendência é que esse sintoma fique cada vez mais visível, não para o extinguir, mas para compreendê-lo. Nada que acontece conosco é sem sentido. Se você tem uma dor de cabeça ou uma insônia que te acompanha sempre, é porque ainda não olhou verdadeiramente para ela. Ela está suplicando que a dê importância, que a enxergue, pois alguma coisa ela quer lhe dizer.

Sendo assim, como fica a nossa vontade que nosso(a) filho(a) pare de morder os coleguinhas, de fazer xixi na cama, ou pare de dar birra? Queremos que tudo que nos incomode desapareça! Mas não é bem assim que funciona, precisamos olhar atentamente tudo que nos causa incômodo, que é desagradável e muitas vezes vergonhoso. Comece por você primeiro! Quais são os seus sintomas? Como e quando eles aparecem e te acompanham?

Não gaste a sua energia tentando suprimir e esconder, invista na compreensão e no entendimento. Resgate o diálogo consigo mesmo, com seu corpo. Ao iniciar esse processo as chances de conseguir olhar com mais cuidado e carinho para si mesmo serão bem maiores e lhe permitirão um olhar diferenciado às suas crianças.

Se é tão difícil para nós adultos, não podemos exigir que os pequenos consigam resolver sozinhos os seus desconfortos e alegrias. Temos uma imensa responsabilidade na formação e construção desses pequenos seres. Vamos começar a escutar sem julgar, a olhar sem criticar, a conviver sem estranhar.

E ai, será que é possível começar? Comece, você tem muito a viver!

 

 

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