Meu filho não quer ir para a escola, e agora?

 

 

“Todo dia às 12h o tormento se repete. É tanto choro, corre pra cá, corre pra lá, esconde, pega, grita, entra no carro, mais choro, brigas (afinal esse acontecimento estressa todo mundo). Chegamos à escola, onde o choro realmente começa! Meu Deus, como pode esse ser tão pequeno produzir tantas lágrimas? Desço e lá se vão alguns minutos ou até horas do meu dia, converso, converso mais, e vem diretora, coordenadora, professora e nada se resolve. Alguém distrai a criança e eu vou embora correndo.

Cansativo, não? Cansativo e sofrido! Entro no carro e me sinto culpada por deixar minha filha tão pequena aos prantos na escola. “Será que não sou uma boa mãe? Será que está acontecendo alguma coisa e eu não consigo perceber nem lidar com a questão? ”

Essa é uma situação bem presente na vida de muitos pais: o início da vida escolar de seus filhos de forma turbulenta. A rotina escolar vem fazendo parte da vida das crianças cada vez mais cedo, é um momento em que entram em contato com um mundo bem diferente daquele ao qual estavam acostumadas. Algumas se adaptam facilmente à nova realidade, à imposição de regras e ao relacionamento com novos amiguinhos, outras, porém, encontram dificuldades. É aí que os problemas aparecem.

 Se seu filho (a) não quer ir para escola é preciso investigar o que está acontecendo. Uma boa conversa com a professora, diretora e com outras mães ajuda bastante a entender a dinâmica da criança. O contexto escolar também deve ser observado. Na verdade, esse cuidado se inicia antes mesmo do pequeno ir para a escola. É aquele momento onde você vai pesquisar o melhor local para seu filho aprender, conviver com outros semelhantes e se desenvolver como ser humano (essa escolha envolve uma série de fatores, como a escola em si, método utilizado, praticidade e mobilidade, aspectos financeiros, entre outros). Uma fase de adaptação é sempre importante e necessária.  Os primeiros dias merecem mais atenção e cuidado.

Se sua filha (o) está se comportando igual à criança do exemplo acima, a atenção deve ser redobrada. Chorar algumas vezes faz parte, porém, se o comportamento se repete a cada dia e não melhora com o passar do tempo, de fato alguma coisa está acontecendo. Investigar a situação é aconselhável, conversar com a criança e tentar entender o que está acontecendo é uma ótima atitude. Muitas conseguem falar, embora, dependendo da idade, seja necessário fundamentar tudo o que for dito. Por exemplo: “Não quero ir porque não gosto da professora! ”, é uma notícia que seu filho está te dando e você não pode descartá-la, mas também não pode admiti-la como verdade absoluta. Investigue, vá até a escola e converse com a professora, com a diretora e com quem mais for necessário, e veja se há fundamento na fala do pequeno. Já presenciei casos de crianças que davam várias desculpas para não ir à escola, e quando as informações foram investigadas nenhuma delas procediam. O sentido de tanto choro não estava em algo da escola, mas em um próprio desconforto da criança, que vivia um momento novo e muito diferente, e ainda não tinha condições de nomear com clareza o que estava sentindo e acabava falando diversas coisas para responder a tantas perguntas que lhe eram feitas.

Crianças em formação ainda não sabem por completo dar nomes a sentimentos e emoções que vivenciam. Elas simplesmente sentem. E sabemos muito bem que o sentir é muito mais forte do que o pensar. Nessa fase de aprendizagem estão ainda identificando sensações e sentimentos e somos nós, adultos, que devemos ampará-las e ajudá-las a ter consciência do que estão sentindo. Daniel Goleman aborda esse desenvolvimento da inteligência emocional considerando que, quanto mais novos os pequenos forem inseridos nesse meio, mais experientes e amadurecidos estarão para lidar com situações do dia-a-dia.

Compreendendo essa ideia seguimos adiante com a investigação, a qual acontece em várias esferas, tendo a criança sempre como foco de toda a atenção, mas sempre com o olhar amplo para todo o contexto na qual está inserida. Entender os ambientes que essa criança frequenta faz todo o sentido, entre eles o principal: sua casa. Existem regras? Quem dita e comanda as atividades dele é você? Se, em casa, a criança não está acostumada a obedecer algumas regras, ela pode ter mais dificuldade em se adaptar, pois a escola é mais um limite imposto à criança. A escola vem para complementar e ajudar na educação e não como única e salvadora da educação infantil. As regras e a rotina de seu filho devem, então, ser estabelecidas por você em sua casa.  Assim, quando ele for à escola, a mudança não será tão gritante, pois já vivencia limites e consegue lidar com frustrações e sentimentos desconfortáveis.

Dessa forma, uma das causas possíveis, entre várias, para um choro desconcertante de seu filho ao ir para escola, é a ausência de limites, a ausência de estímulos que o desperte para o mundo da educação. A escola complementa, mas é você, pai ou mãe, quem tem a responsabilidade de apresentar o mundo ao seu filho, mostrar o quão divertido pode ser aprender a ler, a escrever, a fazer contas e descobrir o novo sempre em um livro. E, também, que é preciso respeitar algumas regras existentes no ambiente escolar, como horários para fazer cada atividade, horário para lanchar, aprender a dividir materiais e brinquedos e a atenção, que muitas vezes não será exclusiva para ele.

Se a apresentação desse mundo acontece de uma forma divertida e cheia de estímulos, a percepção de seu filho poderá mudar. Experimente, seu filho um dia te agradecerá!

Palavras chave:

Please reload

Please reload

  • Facebook Basic Square

© 2013 by ACCC. Armazém de Dentro - Todos os direitos reservados.