Crianças, reflexos do que somos.

 

Outro dia presenciei uma cena interessante em um dos restaurantes que frequento. A mãe de uma criança enfrentou a monitora do parquinho porque esta não permitia a entrada de seu filho de sapato no brinquedo. Por um momento fiquei refletindo sobre aquele comportamento da mãe e pensando o que toda aquela experiência vivida e observada pela criança representaria em sua vida futura.

Deixar os filhos crescerem não é tarefa fácil, embarca-se sempre em uma viagem por caminhos novos e no meio da estrada surge uma tsunami de pensamentos, sentimentos e emoções característicos da maternidade e paternidade.

 

Não existe certo ou errado na educação de uma criança, mas uma coisa é certa, o que fazemos é compreendido por elas como verdades a serem seguidas. A forma como nos comportamos, como conversamos e nos relacionamos com as pessoas são vistas pelos pequenos como o jeito certo de agir. Se, de fato, é ou não correto cabe a nós adultos percebermos e filtrarmos o que é realmente importante para a sua formação como ser humano.

 

Voltando ao exemplo acima, passar por cima de regras para satisfazer um simples desejo de seu filho, o que, aliás, não é raro, afeta a construção de sua personalidade.  No caso citado, o filho era um garoto novo, com no máximo sete anos, mas que dependia totalmente de sua mãe, uma vez que a cada obstáculo que ele encontrava, lá estava ela para lhe defender e brigar por seus direitos, afinal o que é que tem o menino entrar de sapato nesse chão sujo (que, aliás, era acolchoado e onde todos estavam descalços)?

 

A questão é que esse garoto um dia irá crescer e provavelmente não terá sua mãe a tiracolo sempre que necessitar romper alguma barreira que não está conforme a sua vontade. Uma vez adulto e analfabeto emocionalmente, como é que lidará com o que pensa, sente e deseja? Terá que aprender na raça, com a vida, com colegas de trabalho lhe dizendo a verdade, com uma imensa dificuldade de se planejar em objetivos pessoais e profissionais, com uma possível intolerância em suas relações porque não aprendeu a dividir e a respeitar o outro em suas decisões.

 

Não teria sido mais fácil se as frustrações tivessem sido vividas e aprendidas pouco a pouco durante o seu crescimento?  E se aquela mãe, entendendo o sofrimento do filho em tirar o sapato tivesse conversado com ele a fim de lhe explicar que naquele momento eram as regras do jogo, que para brincar ali seria necessário ficar descalço, como os outros estavam, mostrando todos os benefícios e ensinando o seu filho a se relacionar e a respeitar o próximo.

 

O que é importante saber é o tamanho da responsabilidade que têm os cuidadores de uma criança. Mães, pais, tios, avós, enfim, todos aqueles que convivem e que estão ligados ao processo educacional durante a infância precisam estar atentos a seus comportamentos. Precisam se policiar a cada gesto, cada palavra falada e ato compartilhado no sentido de se perceberem como exemplos a serem seguidos por estes pequenos. Se o que eles veem for bom e saudável, será estímulo para o desenvolvimento. Porém, se as relações foram adoecidas e os comportamentos agressivos e hostis, a criança também se desenvolverá, mas para o lado oposto da saúde emocional.

 

Por isso, se você tem o privilégio de cuidar de uma criança, procure perceber-se cada vez mais, não pense que por seu filho ser pequeno ele não sabe o que está acontecendo. Muito pelo contrário... as crianças percebem e sentem desde muito pequenininhas!  

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